Cometas e transnetunianos
Principais
cometas e planetas gelados

Um
número imenso de pequenos corpos (e alguns médios) constituídos basicamente de
gases congelados, gelo e poeira cósmica (silicatos, metais e compostos
orgânicos), orbitam o Sol para além da órbita de
Saturno. Os menores, de tamanho comparável aos asteróides, costumam ser chamados de cometas. Aqueles que têm mais de 2.000 km de
diâmetro são considerados planetas por tradição, apesar de serem basicamente da
mesma composição e natureza. Os de tamanho intermediário (200 km a 2.000 km) são
chamados simplesmente de transnetunianos.
Grande
parte dos cometas está no Cinturão de Kuiper,
comparável ao Cinturão Principal de Asteróides, mas muito maior. Estende-se
para além da órbita de Netuno, entre 30 UA e 100 UA do Sol, e é formado por planetesimais que jamais se chegaram a condensar em grandes
planetas – embora alguns tenham chegado a formar corpos de médio porte, como Tritão (depois capturado por Netuno e transformado em seu
satélite), Plutão, Quirino, Termo, Prosérpina,
Minerva e Baco. Ocasionalmente, a gravidade de algum dos grandes planetas
desvia um cometa de suas órbitas dentro do cinturão para transformá-los em
cometas periódicos.
A
maioria dos cometas, porém, está na Nuvem de Oort, um aglomerado muito maior e
mais caótico, formado por corpos originalmente formados mais perto do Sol do
que o cinturão de Kuiper, nas imediações dos planetas
gigantes, mas que foram ejetados de sua órbita original por encontros
gravitacionais. Muitos escaparam inteiramente do Sistema Solar e agora vagam no
espaço interestelar, mas outros permanecem orbitando
o Sol a distâncias muito grandes (até 100.000 UA) e com períodos de milhares ou
milhões de anos. Ocasionalmente, alguns deles têm suas órbitas são perturbadas
pela passagem de outras estrelas, também são desviados para o Sistema Solar
interior e se tornam cometas visíveis não-periódicos – ou seja, seu período é
tão longo que praticamente nunca voltam a ser observados.
Cerca
de 300 centauros e pequenos cometas do cinturão de Kuiper – geralmente com
diâmetros de 10 km a 20 km – foram semeados com árvores especialmente
desenvolvidas por engenharia genética para se tornarem impermeáveis e imunes à
radiação a ponto de sobreviver ao vácuo espacial, ainda que cresçam muito
lentamente. Desenvolvem grandes espelhos côncavos para concentrar a escassa
energia solar disponível e transformam em matéria vegetal viva o gelo, os
voláteis e os compostos disponíveis, criando um ambiente relativamente
acolhedor para o Homo vacui.
Vistos de longe, esses cometas parecem grandes batatas com ramos espalhados no
vácuo. Sua população total é de cerca de 900 mil inteligências.
Alguns
dos corpos maiores (mais de 1.000 km de diâmetro) do cinturão de Kuiper foram colonizados de uma forma mais convencional,
através de bases subterrâneas. Plutão, com cerca de dois milhões de habitantes,
é o mais populoso e nele está a sede da Federação Transnetuniana. Esses corpos totalizam cerca de 3,9 milhões
de inteligências.
Além
disso, em Quíron e algumas centenas de transnetunianos do cinturão de Kuiper
e da Nuvem de Oort, foram estabelecidos laboratórios científicos, observatórios
especiais de ondas gravitacionais ou ondas de rádio ultralongas
e bases para esquadrilhas de caça da Força de Defesa do Sistema Solar. Vivem aí
cerca de trinta mil inteligências.
Ao
todo, esses corpos totalizam 4,8 milhões de inteligências, das quais dois
terços são Homo vacui
e quase um terço são inteligências artificiais. Como os asteróides, formam
uma associação muito frouxa, unificada apenas pela busca de soluções para
problemas semelhantes de desenvolvimento.
Os
Cometas periódicos são os que têm
órbitas suficientemente elípticas para cruzarem a órbita de Júpiter e se
chegarem a menos de 5 UAs do
Sol, os gases congelados em sua superfície começam a se evaporar, formando uma
nuvem de gás e poeira que a radiação solar torna fluorescente, chamada coma,
com milhares de km de diâmetro. A pressão da radiação do Sol e o vento solar
transformam numa cauda brilhante, que às vezes atinge 250 milhões de km de
comprimento. A cada dez anos, em média, um cometa se torna espetacularmente
visível a olho nu, visto da Terra.
Depois
de muitas passagens, os gases podem se evaporar completamente. O cometa
extinto, reduzido a um frágil aglomerado de poeira, torna-se mais um asteróide
– ou então se desintegra.
Alguns
deles chegam a menos de 800 mil km da superfície do Sol. Há 184 cometas de
curto período, cujos períodos variam três a 200 anos, como o Halley (período de
76 anos e núcleo de 16 x 8 km) e mostram uma regularidade razoável. Há também
alguns milhares de cometas de longos períodos, mais de 200 anos a vários
milhares, como o Halle-Bopp (período de 2.000 a 4.000
anos e diâmetro de 40 km), cujas órbitas são tão longas que são facilmente
perturbadas, tornando seu retorno pouco regular. O diâmetro de seus núcleos
varia de 1 km a 50 km e seu período de rotação geralmente varia de 4 horas a 5 dias. Com um período de rotação menor que 3 horas, a
maioria deles seria desintegrada pela força centrífuga.
Os
Centauros são quinze mil pequenos
corpos de gelo com diâmetro a partir de um quilômetro, cujos raios orbitais
médios são intermediários entre o de Saturno e o de Urano, mas, sendo
elípticas, podem chegar até perto de Marte ou além de Netuno. O maior deles é Quíron (Classificação: K20O14B1o).
O Cinturão de Kuiper é formado por corpos com uma massa total
equivalente ao dobro da de Marte (ou a 0,2 da Terra), cujas órbitas têm raios
de 30 a 200 UA, dos quais mais de 108 mil têm diâmetro superior a 100 km de
diâmetro e mais de 400 bilhões diâmetro superior a 1
km. São formados basicamente de gelo, coberto por uma crosta escura,
freqüentemente avermelhada, de hidrocarbonetos congelados. Dividem-se em três grupos:
·
Os
plutinos –
cerca de 3 mil com diâmetro superior a 100 km – são
corpos do cinturão de Kuiper que estão em ressonância
com Netuno, com um período 50% maior, que geralmente têm órbitas moderadamente
excêntricas com raio de 39,4 UA. Incluem Plutão e Íxion.
·
Os
proserpinos
– cerca de 3 mil com diâmetro superior a 100 km –
também estão em ressonância com Netuno, mas com o dobro de seu período e
órbitas de raio próximo de 47,7 UA. Incluem Prosérpina.
·
Os
clássicos – dos quais há 47 mil com
diâmetro superior a 100 km – que não estão em ressonância com Netuno e têm
órbitas aproximadamente circulares (excentricidade menor que 0,15) e raios de 41 a 47 UA. Incluem
Quirino, Termo, Varuna e Quaoar.
·
Os
dispersos – cerca de 55 mil corpos,
com órbitas acentuadamente elípticas, cujos raios variam de 50 a 200 UA.
Além de Minerva e Baco, vale citar Sedna, um corpo desabitado de 1.700 km de diâmetro com uma órbita extremamente elíptica, cujo período é de 10.500 anos e o raio médio de 532 U.A. (79,6 bilhões de km), mas que chega a 76 U.A. (11,4 bilhões de km) em seu ponto mais próximo do Sol e 990 U.A. (148 bilhões de km) em seu ponto mais distante.
Plutão é o maior dos plutinos
e um dos menores planetas, com uma massa seis vezes menor do que a Lua da Terra (Classificação: P13A14C7t).
Muito semelhante a Tritão, é formado por 60% de rocha
e 40% de gelo. Sua temperatura é de -240ºC. Tem um período de rotação de 6,3872
dias terrestres e um eixo com inclinação de 122,52º. É coberta de neve de
nitrogênio congelado, com traços de metano e monóxido de carbono, que tende a
evaporar quando o planeta está mais próximo de seu periélio, formando uma tênue
atmosfera (pressão 100 mil vezes inferior à da atmosfera da Terra), razão pela
qual sua superfície, ao contrário da maioria dos corpos da sua
categoria, é branca e brilhante. Gira em torno do Sol com um período de 248,54 anos terrestres; sua órbita tem raio médio de 39,53
UA e excentricidade de 0,2482. Possui um satélite natural, Caronte (Classificação: P15A14C7o),
uma bola de gelo com massa quinze vezes menor que a de Plutão e que gira ao seu
redor com um período idêntico ao de sua rotação, 6,3872 dias terrestres, a uma
distância equivalente a oito diâmetros de Plutão.
Quirino (Classificação: P13O15B4o) e Termo (Classificação: P13O15B4o) são dois corpos muito semelhantes a Plutão, exceto por serem
um pouco menores e muito mais escuros. Como têm órbitas relativamente circulares
(excentricidades de 0,02 e 0,03) não se aproximam o suficiente do Sol para que
seus gases se evaporem e se condensem novamente como neve. Permanecem
cobertos por uma camada carbonácea, criada
pelo bombardeio de sua superfície por raios cósmicos de alta energia, que os
deixa vermelhos-escuros ou pretos como carvão.
Prosérpina (Classificação: P13O15C4o) é um corpo semelhante a Plutão, mas
um pouco maior e coberto por uma camada carbonácea.
Seu eixo tem inclinação de 32,234º. Gira em torno do Sol com um período de 329,5 anos terrestres. Sua órbita tem raio médio de 47,7
UA e excentricidade de 0,031.
Minerva (Classificação: P12A15B4o) é também um corpo escuro de rocha e
gelo coberto de uma camada carbonácea escura. Pouco maior que a Lua, é o maior
objeto do cinturão de Kuiper. Tem um eixo com
inclinação de 17,34º. Gira em torno do Sol em 613,0 anos terrestres.
Sua órbita tem raio médio de 72,2 UA e excentricidade de 0,193.
Baco (Classificação: P12B16D4o) foi o 14º e último planeta a ser
descoberto, tem um eixo com inclinação de 53,3º. Gira em torno do Sol em 1.224,8 anos terrestres. Sua órbita tem raio médio de
114,5 UA e excentricidade de 0,343.
A
Nuvem de Oort é uma grande nuvem
esférica formada por mais de 10 trilhões de cometas, alguns de grande tamanho,
que distam dezenas de milhões de quilômetros entre si e giram em torno do Sol a
distâncias médias da ordem de 10 mil UAs
e com massa total da ordem de 40 Terras. Sua temperatura é da ordem de -269º C.
Alguns milhões deles se aproximam o suficiente do Sol para serem vistos como
cometas, com períodos da ordem de milhões de anos.